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02.02.2018 - Dia Mundial do Câncer: como identificar um paciente oncológico com inadequada ingestão alimentar?
 
No próximo domingo (04), é o Dia Mundial do Câncer, importante data para falar sobre os aspectos nutricionais que envolvem um paciente oncológico. Falar de paciente oncológico é falar de um grupo de pacientes: trabalhar com a ansiedade e os medos daquele paciente que acabou de descobrir o diagnóstico e espera para iniciar um tratamento ou um paciente que já recebeu tratamento e apresenta sintomas importantes consequentes da própria terapia ou do seu estado nutricional e também é falar e cuidar daquele paciente que recebe cuidado paliativo. Por isso, a primeira coisa que um profissional precisa fazer é entender: de que paciente estou falando? Qual sua fase de tratamento?

Nosso principal desafio, como profissional da Nutrição, é avaliar e adequar a ingestão alimentar. Considera-se inadequação da ingestão alimentar o fato do paciente não conseguir se alimentar por mais de uma semana ou se o consumo de energia é menor do que 60% das suas necessidades por mais de 1 a 2 semanas. Segundo a coordenadora do Serviço de Nutrição e Dietética do IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer), Thais Cardenas, existem diversos motivos para o paciente oncológico não conseguir se alimentar ou comer bem menos do que comia antes do diagnóstico.

“As causas são complexas e multifatoriais. Primeiramente, em nível de sistema nervoso central, levando ao que chamamos de anorexia ou perda de apetite, característica da doença. Depois, pelo próprio efeito colateral do tratamento. Nesse último caso, muitos podem ser diminuídos com uso de medicações apropriadas. Algumas das causas mais comuns para redução da ingestão alimentar são: ulcerações na boca, boca seca, falta de dentição, obstrução intestinal, má absorção, intestino preso, diarreia, enjoos constantes, vômitos, redução da motilidade intestinal, alteração do paladar, dor, entre outros”, esclarece a mestre em Nutrição Humana do IBCC. Mas não se assuste! Não é porque você iniciou um tratamento oncológico que você apresentará todos esses sintomas. Dependerá muito da combinação das terapias, do seu estado nutricional antes de iniciar o tratamento e até mesmo do suporte assistencial que recebe no decorrer da doença.

Para os nutricionistas e demais profissionais, a preocupação pela impossibilidade de se alimentar é porque, de forma rápida, podemos identificar a redução de peso e, de forma preocupante, a perda da massa muscular. Mesmo que não haja perda de gordura, a perda do músculo prediz, complicações pós-operatórias, maior toxicidade à quimioterapia e mortalidade. Em tese, não se deve permitir que mais de 20% dos pacientes em quimioterapia consumam menos de 80% daquilo que precisam do ponto de vista de energia. E por que falamos tanto em perda muscular? Porque a perda de músculo é a marca principal da síndrome da caquexia do câncer e prejudica gravemente a qualidade de vida, impactando de forma negativa na função física e na tolerância ao tratamento.

Intervenção nutricional

Ainda segundo a nutricionista, a terapia nutricional objetiva manter ou melhorar a ingestão alimentar e evitar problemas causados pela falta de aporte de energia e proteína, reduzindo os riscos de interrupção do tratamento e melhorando qualidade de vida. Existem claras recomendações de intervenção nutricional precoce para aumentar o consumo oral de pacientes com câncer que até para aqueles que conseguem comer, mas não o suficiente (esse é o ponto chave!). As intervenções incluem aconselhamento dado pelo nutricionista e oferta de complemento nutricional de diversos sabores existentes no mercado, como primeira alternativa, sempre preferindo hipercalóricos e hiperproteicos.

Se a nutrição via oral permanece inadequada mesmo após uso de suplemento nutricional, a via enteral é indicada (via sonda ou gastrostomia, dependendo do caso). Caso a via intestinal não possa ser utilizada, a terapia nutricional parenteral deve ser iniciada. Há forte recomendação de manutenção, ou até aumento, dos níveis de atividade física em pacientes com câncer. Por isso a importância de um acompanhamento conjunto com outros profissionais da saúde.

É recomendável monitorar e auditar a qualidade do suporte nutricional à luz de diversas recomendações, nacionais e internacionais. “O ideal é triar o paciente assim que é admitido no hospital e avaliar, de alguma forma, a massa muscular, o que não é uma realidade em todos os hospitais oncológicos do nosso país. Quase a totalidade dos pacientes em risco nutricional deve receber algum tipo de terapia nutricional para melhorar o consumo calórico e proteico e até mesmo evitar a desnutrição sob nossos cuidados. Não podemos nos esquecer da importância das reavaliações (em intervalos de 1 a 4 semanas) e da aplicação de protocolos para recuperação operatória de doentes oncológicos, bastante consensuada na literatura nacional e internacional”, finaliza Thais Cardenas.

Em pacientes com perda de peso e resistência à insulina, alguns consensos indicam um aumento da proporção de gordura como fonte de energia, em relação ao carboidrato. Não há recomendação para aumentar a oferta de vitaminas e minerais além do que é indicado para pessoas saudáveis.