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15.03.2018 - Estudo compara assinaturas gênicas
 
Qual é o valor preditivo das assinaturas gênicas para estimar e estratificar o risco de recidiva no câncer de mama ERBB2 negativo, com receptor de estrogênio positivo? Estudo publicado no Jama Oncology traz dados comparativos que podem ajudar oncologistas a escolher o teste mais adequado antes de considerar o uso de quimioterapia e/ou terapia endócrina prolongada. O oncologista Auro del Giglio (foto) descreve o estudo e aponta caminhos para expandir o acesso aos testes moleculares.

Os autores argumentam que múltiplas assinaturas moleculares estão disponíveis para gerenciar o câncer de mama positivo ao receptor de estrogênio (ER), mas ainda são poucos os dados comparativos entre elas para justificar a escolha de uma ou outra. Este estudo comparou o valor prognóstico de 6 assinaturas em mulheres com câncer de mama inicial ER-positivo que receberam terapia endócrina por 5 anos. As assinaturas incluíram o score de recorrência do Oncotype Dx, o risco de recorrência do Prosigna (ROR) baseado no PAM 50, o Índice de Câncer de Mama (BCI), EndoPredict (EPclin), o teste imunohistoquímico de 4 marcadores (IHC4), além do Score de Tratamento Clínico (STC, definido por status nodal, tamanho do tumor, grau, idade e tratamento endócrino). Os dados foram coletados de janeiro de 2009 a abril de 2015.

A análise considerou 774 mulheres na pós-menopausa com câncer de mama ERBB2 negativo com receptor de estrogênio positivo,idade mediana de 64,1 anos. 591 mulheres apresentavam linfonodo negativo, com mediana de idade de 63,4 anos. Nesta população ocorreram 58 recorrências à distância, aproximadamente metade dos casos no período final do seguimento. Nas mulheres com 1 a 3 linfonodos comprometidos (n=183), a mediana de idade foi maior (66,4 anos), assim como o tamanho dos tumores. Um total de 40 casos de recorrência à distância foram reportados ao longo de 10 anos de seguimento, 21 deles 5 anos após o diagnóstico.

Os resultados do valor prognóstico das 6 assinaturas foram avaliados de acordo com o status nodal. De forma geral, para a população sem linfonodos comprometidos, todas as assinaturas gênicas tiveram uma discriminação prognóstica superior à observada com estas mesmas assinaturas no grupo com linfonodos acometidos. Nestas pacientes sem acometimento axilar, os testes ROR (HR,2.56; 95% CI, 1.96-3.35), BCI (HR, 2.46; 95% CI, 1.88-3.23) e EPclin (HR, 2.14; 95% CI, 1.71-2.68) tiveram maior valor prognóstico que as outras assinaturas. O score de tratamento clínico (HR, 1.99; 95% CI, 1.58-2.50) e a imuno-histoquímica IHC4 (HR, 1.95; 95% CI, 1.55-2.45) forneceram nível equivalente de informação prognóstica nessa mesma população. Os resultados mostram que todas as assinaturas gênicas foram capazes de fornecer informações de valor prognóstico complementar ao score de tratamento clínico, especialmente os testes BCI e ROR.

Todas as 4 assinaturas gênicas classificaram a maioria das mulheres no grupo de baixo risco, o que significa um risco de recorrência à distância inferior a 5% no período de 5 a 10 anos. Nas 183 mulheres com 1 a 3 linfonodos comprometidos, todos os 6 testes forneceram informações limitadas, com maior valor prognóstico para o BCI (ΔLR χ2 = 9.2) e o EPclin (ΔLR χ2 = 7.4). Em conclusão, o estudo mostra que a combinação de informações clínicas e moleculares pode aumentar o valor prognóstico para prever recidiva à distância e a estratificação de risco em câncer de mama ERBB2 negativo, receptor de estrogênio positivo, o que é particularmente relevante para mulheres com doença linfonodal positiva. Esta análise foi realizada como um estudo secundário pré-planejado do estudo clínico randomizado que avaliou anastrozol ou tamoxifeno isoladamente ou em combinação, com dados de seguimento de 10 anos.

Na população brasileira, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde, a aplicabilidade destes testes moleculares é limitada, principalmente pelo seu alto custo. Na Faculdade de Medicina da Fundação ABC, o teste molecular de 21 genes foi padronizado e os resultados preliminares foram publicados . Agora, o teste está sendo validado para uso em nossos pacientes. Estima-se que, ao se evitar ministrar quimioterapia sistêmica para mulheres identificadas como de baixo risco pela assinatura molecular que está sendo validada, poderemos justificar a implantação deste teste na rotina de cuidados desta população. Assim, minorando os custos do teste molecular e subtraindo os custos da quimioterapia que teria sido dada a mulheres de baixo risco, projetamos que o Sistema de Único de Saúde poderá economizar recursos implementando tecnologia de ponta para cuidado de pacientes com câncer de mama. Será que a exemplo dos medicamentos biossimilares, não chegou também o tempo de termos testes moleculares genéricos?

*Auro del Giglio é Professor Titular de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Medicina do ABC, Coordenador do Serviço de Oncologia Clínica do IBCC e do Hospital do Coração (HCOR).

Escrito por Valéria Hartt - Onconews

Referências:

1 - Sestak I, Buus R, Cuzick J, Dubsky P, Kronenwett R, Denkert C, Ferree S, Sgroi D, Schnabel C, Baehner FL, Mallon E, Dowsett M. Comparison of the Performance of 6 Prognostic Signatures for Estrogen Receptor–Positive Breast CancerA Secondary Analysis of a Randomized Clinical Trial. JAMA Oncol. Published online February 15, 2018. doi:10.1001/jamaoncol.2017.5524

2 - Kuniyoshi RK, Gehrke Fde S, Alves BC, Vilas-Bôas V, Coló AE, Sousa N, Nunes J,Fonseca FL, Del Giglio A. Gene profiling and circulating tumor cells as biomarker to prognostic of patients with locoregional breast cancer. Tumour Biol. 2015 Sep;36(10):8075-83. doi: 10.1007/s13277-015-3529-5. Epub 2015 May 16. PubMed PMID: 25976504.